“Senhor, cura-me!”

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“Então, romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda” (Isaías 58:8).
Toda e qualquer separação conjugal produz enormes feridas na alma dos envolvidos, seja nos maridos, nas esposas, nos filhos, e até mesmo no seio da família no geral. O certo é que nenhuma separação, por mais justificativas que se apresentem, faz germinar dias de paz. Não é preciso sermos grandes teólogos para sabermos que a essência de JESUS é voltada para a união, para a reconciliação, para a restauração. ELE próprio veio ao mundo, morreu em uma cruz e ao terceiro dia ressuscitou para que, através do Seu sacrifício de Amor e obediência, fôssemos reconciliados com DEUS: “mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades, o castigo que nos traz a paz estava sobre ele; e, pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:5).
Filhos que crescem com pais separados, ainda que não concordem com a situação, vão se formar adultos aprisionados à ideia de que, a qualquer tempo, eles também poderão ser vítimas de uma destituição familiar. A maioria desses filhos possuem um trauma ao não quererem para si o casamento segundo DEUS orienta e abençoa. Antes, vão se conformar com a simples união estável, sob o pretexto de que será menos burocrático resolver uma separação futura. Não se casam, juntam-se ilicitamente a outra pessoa, pelo medo de serem assombrados pelo mesmo fantasma que, no passado, assombraram os seus pais. Aqueles que têm maior facilidade de aceitar como normal a separação dos pais, certamente, ao casarem, por qualquer motivo, também vão se separar e buscar em novos relacionamentos a felicidade pessoal. Para DEUS, ter relação sexual com o outro sem ser casado, é fornicação; e, praticar sexo sem ser com a pessoa com a qual nos casamos pela primeira vez, estando essa pessoa ainda viva, é adultério. De sorte que, maridos foram abençoados para viverem ao lado de suas esposas, e vice-versa. Qualquer dissertação científica que não contemple essa realidade serão palavras jogadas ao vento de pessoas que não conhecem nem temem o Evangelho de CRISTO. Os psicólogos, por exemplo, aconselham as pessoas a desistirem de casamentos que eles consideram falidos, sem conserto. Dizem logo a uma pessoa recém-separada: “procure recomeçar a sua vida sentimental, ao lado de outra pessoa”. De sorte que para a ciência, separações são eternas e que maridos e esposas devem, sim, viver separados um do outro. Mas o apóstolo Paulo escreveu algo bem diferente quando abordou a relação entre pessoas casadas, sem desconsiderar as grandes lutas que sobrevêm em um casamento. Paulo deu ênfase à importância dos casais casados estarem sempre juntos, manterem relação sexual, serem fiéis um ao outro, e nunca desistirem do matrimônio: “Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. O marido pague à mulher o que lhe é devido, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o próprio corpo, mas tem-no o marido. Do mesmo modo, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes à oração. Depois ajuntai-vos outra vez, para que satanás não vos tente por causa da incontinência” (1 Coríntios 7:2-5).
Porém, nos dias de hoje, é fácil demais encontrarmos pessoas que, embora se digam religiosas ou cristãs, não orientam as vidas segundo a Palavra de DEUS, e logo, por motivos que consideram imperdoáveis, buscam a separação. Pessoas que são vítimas e ao mesmo tempo se tornam culpadas, oprimidas, desajustadas emocionalmente, doentes da alma. Não é a solidão, o distanciamento, não é uma nova pessoa, que vão proporcionar a paz e a salvação. Quando nos separamos do cônjuge e insistimos em permanecer distantes dele, dizemos para DEUS que os pecados que ele cometeu são imperdoáveis para nós. Não conseguimos perdoar verdadeiramente o outro; e isso nos traz consequências terríveis, tanto no aspecto emocional como no espiritual. Um coração impiedoso, tanto da pessoa que repudiou como da pessoa repudiada, é um coração ferido, amargurado, aprisionado, distante de DEUS e sem salvação. Escrevo isso porque há cônjuges que desejam a restauração de suas famílias, mas sofrem bastante durante a caminhada no deserto, quando não conseguem se libertar das lembranças tristes do passado nem mesmo das cenas amargas do presente que seus maridos e esposas lhes causam. Essas pessoas precisam entender que é impossível uma família ser restaurada por DEUS sem que exista o perdão verdadeiro. E perdoar não é só útil, como necessário. Perdoar é se libertar de tudo aquilo que nos causa dor e sofrimento; é limpar o terreno do coração para que a pessoa, que no passado nos feriu, possa entrar e fazer morada outra vez. Nosso coração precisa estar limpo, não só daquilo que o nosso cônjuge nos causou ou nos causa, mas limpo também de nosso egoísmo, de nossa dureza e impiedade.
Por que precisamos urgentemente perdoar quem nos fez mal? Porque, primeiramente, somos cristãos, à imagem e à semelhança de DEUS fomos formados. E, também, como igualmente pecadores que somos, precisamos do perdão de DEUS em nossas vidas. Observe o que disse JESUS: “Pois se perdoardes os homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. Porém, se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial não perdoará as vossas” (Mateus 6:14-15); “Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que recebestes, e será vosso. E quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, não vos perdoará as vossas ofensas” (Marcos 11:24-26). JESUS nos mostra que o perdão, além de ser uma atitude, é também uma condição. Perdoar de boca, quando não se busca a reconciliação, é hipocrisia, mentira. O perdão que CRISTO nos dá resulta em nossa reconciliação com DEUS.
Em uma das célebres parábolas bíblicas, JESUS instruiu todos os Seus filhos sobre o exercício do perdão: “Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe respondeu: não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Por isso o reino de Deus pode ser comparado a certo rei que quis ajustar contas com os seus servos. E começando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo o que tinha, para que a dívida fosse paga. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso comigo e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários. Lançando mão dele sufocava-o, dizendo: paga-me o que me deves. Então o seu companheiro prostrando-se a seus pés, rogava-lhe: sê generoso comigo e tudo lhe pagarei. Ele, porém, não quis. Antes foi encerrá-lo na prisão, até que saldasse a dívida. Vendo os seus conservos o que acontecia, entristeceram-se muito, e foram relatar ao seu senhor tudo o que sucedera. Então o seu senhor, clamando-0, lhe disse: servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu igualmente compadecer-te do teu companheiro, como também eu me compadeci de ti? Assim, encolerizado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse tudo o que devia. Assim vos fará também meu Pai celeste, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas” (Mateus 18:21-35).
Amado, amada do Senhor JESUS, talvez você até tenha um bom emprego, um bom salário, um bom carro ou uma boa casa. Talvez as coisas ao seu redor estejam super agradáveis, caminhando muito bem, dentro daquilo que você sonhou e planejou, mas dentro de você há uma raiz de incerteza, um incômodo espiritual que insiste em não sair, como um cárcere, uma prisão, algemas que prendem a sua alma e você não consegue mais ter paz nem a antiga comunhão com DEUS. Talvez a raiz da amargura se fez crescer e muito forte dentro de você, seja por um passado distante ou um passado recente, de alguém que te fez muito mal, te feriu bastante, te jogou na sarjeta da solidão e da humilhação, e não soube alcançar as suas expectativas pessoais. A razão de tudo isso é muito simples: você, até a presente data, ainda não perdoou verdadeiramente e nem buscou a exata reconciliação com essa pessoa. Se foi com um amigo, procure-o, libere perdão, e volte a ser amigo dele. Se foi com algum parente, com o qual você até nem mais fala, aja da mesma maneira, liberando perdão e voltando a falar com essa pessoa. Agora, se o problema foi com o teu cônjuge, com o qual verdadeiramente você é casado (a) legitimamente para DEUS, mais necessidade existe para esse perdão. Não importa o que ele ou ela tenha feito contra você. Perdoe e reconcilie-se com ele ou ela. Você não nasceu para viver separado dele (a). DEUS os fez uma só carne e terá que ser assim até que a morte os separe. Se não for assim, não haverá salvação, pois o casamento é a única instituição que é comparado à relação de CRISTO com a sua igreja. Você leu o que Pedro perguntou a JESUS, quantas vezes ele deveria perdoar, se até sete vezes? Leu também atentamente a resposta dAquele a quem você chama SENHOR? ELE respondeu em outras palavras: “quantas vezes forem necessárias devemos perdoar para que o Pai celestial também perdoe os nossos pecados”.
Não deixe mais o tempo passar. Quanto mais ele passa, mais a raiz da amargura, da dureza, da impiedade, vai se fortalecer dentro de sua alma. Você não terá a paz de CRISTO e a comunhão com o Espírito Santo, se não estiver no estado em que DEUS te colocou e te abençoou e quer te abençoar muito mais. Agora, se você foi repudiado (a) e deseja a restauração da sua família, você também pode fazer o mesmo em relação ao seu cônjuge. Pare de sofrer! Pare de olhar para as circunstâncias! Pare de trazer à memória aquilo que lhe causa dor e tristeza. PERDOE O SEU CÔNJUGE EM ORAÇÃO! Libere essa bênção o mais rápido possível, não ande mais com essa prisão em seu coração, buscando a cura da sua alma através do perdão. Ao fazer isso, então te acontecerá o que escreveu o profeta:“Então, romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda” (Isaías 58:8). Você terá sua família restituída e abençoada! Que o SENHOR nos abençoe, aplicando essa Palavra em nosso coração.
FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é Pastor e líder do Ministério Restaurando Famílias para Cristo.

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