Jesus radical

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Seja, porém, o vosso falar sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mateus 5:37).
Não conheci, em toda a minha vida, um Mestre tão duro, tão radical em seus ensinamentos como JESUS CRISTO. As Suas palavras são de um radicalismo tão impressionante que chego a imaginar como seres humanos, limitados, falhos, propensos ao pecado, podem caminhar e atingir um grau de santidade agradável a DEUS. E, aí, vieram ao meu coração, na mesma hora, as mesmas palavras que o SENHOR proferiu a Paulo no momento de grande sequidão espiritual do apóstolo: “A minha graça te basta, Paulo, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza!” (2 Coríntios 12:9).
É verdade que a graça de DEUS nos está disponível a qualquer momento, que ela suficientemente nos basta para vivermos em meio a tantas adversidades da vida. Mas a graça de DEUS não nos torna seres sem rédia, sem direção, sem doutrina, sem leis, sem obediência. JESUS, sendo a própria graça do PAI, veio a este mundo nos revelar os seus ensinamentos e mostrar o Caminho (ELE mesmo) pelo qual alcançaríamos a herança do reino de DEUS. O Amor, a Graça, as Misericórdias de DEUS, tudo nos é oferecido gratuitamente, porém, condicionado ao fato de termos que abrir mão do nosso EU humano, renunciarmos a nossa vontade, o nosso querer, matarmos a ideia de felicidade pessoal e da satisfação carnal e seguirmos o Caminho muito estreito de obediência aos ensinamentos do PAI. A graça só será manifesta e verdadeira em nós, se estivermos propensos a abrir mão de tudo, em troca de trilharmos o Caminho estreito.
DEUS nos ama! Disso ninguém tem dúvida. Mas há como vivermos plenamente esse Amor em nós sem que obedeçamos à vontade do PAI? “Aquele que diz eu O conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade” (1 João 2:4); “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15)“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (João14:21). Portanto, a ideia de que DEUS quer que sejamos felizes em nós mesmos, pela nossa própria vontade, sem renúncia e obediência, não tem respaldo na Palavra do nosso DEUS.
A dureza com que JESUS ensinava era de tão grande contundência que, certa vez, ao ouvir as Suas palavras, muitos dos seus seguidores começaram a abandoná-LO, desistindo de andar com ELE.“Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (João 6:67). Fico a imaginar que, nos tempos atuais, muitos líderes iriam atrás desses rebeldes, bajulando-os, insistindo para ficarem. Hoje observo que, se a verdadeira doutrina fosse pregada, ensinada nos templos, certamente eles não ajuntariam tão grande quantidade de pessoas. Meia dúzia seria o número dos verdadeiros cristãos. Falar de JESUS pode ser muito fácil, autointitular-se cristão mais ainda, porém, renunciar a si mesmo para obedecer às leis de CRISTO é missão impossível para muitos. A grande dádiva é que JESUS não obriga ninguém a segui-LO, a obedecê-LO. Como também, ELE não sela com a salvação quem assim não faz. JESUS deixa o ser humano livre para decidir se deseja ou não acompanhá-LO: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24)“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Apocalipse 3:20). Portanto, ninguém tem obrigação de seguir a JESUS, mas para ser santo, salvo, detentor do Seu grande Amor, é preciso renúncia e obediência. A salvação de nossa alma vem desses dois ingredientes fundamentais, inseridos na fé da morte vicária e da consequente ressurreição.
Há quem me ache muito duro nas pregações que realizo pelo Brasil sobre casamento cristão. Há quem me dissesse não crer em um DEUS duríssimo, exatamente como anuncio nos púlpitos, um DEUS cuja essência é manter-se radical com aquilo que diz, ensina e faz. Porém, é preciso observarmos atentamente a maneira como JESUS corrigia o caráter das pessoas que O ouviam, o modo como ensinava o Evangelho do Reino, seja para os fariseus, como para os próprios discípulos.
“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas a trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mateus 7:3-5) (grifo meu).
E se algum líder, nos tempos atuais, chamasse algum irmão de hipócrita? Como esse irmão reagiria?
Após se admirar da fé de um centurião, JESUS complementou: “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 8:11-12) (grifo meu). Duríssimas essas palavras…
Em outra ocasião, JESUS pôs à prova aqueles que desejavam segui-LO: “E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos” (Mateus 8:22). Ou seja, o pai querido de um dos discípulos morrera e morto seria quem também fosse sepultá-lo.
Após proclamar o Evangelho da salvação e fazer muitos milagres em três cidades, Corazim, Betsaida e Cafarnaum; e não vendo mudança na vida daqueles que O acompanharam, JESUS lança uma sentença dura sobre os moradores dessas três localidades: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido com pano de saco grosseiro e com cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, que te ergues aos céus, serás abatida até o inferno; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Digo-vos, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no Dia do Juízo, do que para ti” (Mateus 11:21-24) (grifos meus).
Pessoas de determinadas cidades no mundo terão um juízo mais rigoroso, mais duro, do que os moradores das pagãs Tiro, Sidom, e dos habitantes de Sodoma, que foi destruída com fogo e enxofre por causa da perversão sexual incontrolável que lá havia.
Ministrando sobre a importância de se produzir bons frutos, obras de santidade, JESUS advertiu os fariseus de forma duríssima: Raça de víboras, como podeis falar coisas boas sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34) (grifo meu). A partir daí, alguns escribas e fariseus Lhe pediram um sinal para terem certeza de que ELE era mesmo o Filho de DEUS. Ao que JESUS lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. (…) Ninivitas se levantarão no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui quem é maior do que Jonas” (Mateus 12:39 e 41) (grifo meu).
Ao final de um dos Seus sermões, alguém chegou a JESUS e O comunicou que sua mãe, Maria, e seus outros irmãos estavam do lado de fora da casa, esperando há muito tempo para falar com ELE. Leia agora a reação do Filho de DEUS a quem Lhe trouxe esse comunicado: “Quem é minha mãe e quem são os meus irmãos? E estendendo a mão para os discípulos, disse: eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12:48-49).
Não foi a única vez em que JESUS ensinou que ELE próprio era maior e mais importante que os nossos familiares e até mesmo os familiares DELE. Lembra-se do homem que pediu permissão para enterrar o pai que acabara de falecer? No mesmo livro de Mateus veio outra advertência sobre a importância de O colocarmos acima de quaisquer pessoas, até mesmo os nossos familiares: “Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e a sua mãe e entre a nora e a sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou a sua filha mais do que a mim não é digno de mim, e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim” (10:34-38).
Não se deve colocar o amor por uma pessoa acima do amor de DEUS. Como também não se deve deixar de agradar a DEUS para agradar a um ser humano: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). Lembra-se também do casamento em Caná da Galiléia, quando Maria, a Sua mãe, foi adverti-LO sobre a falta do vinho? Resposta curta, dura e direta: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (João 2:4).
Quando ensinou sobre casamento, JESUS foi mais radical ainda: “Qualquer um que deixar a sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério” (Marcos 10:11-12). JESUS não teve a menor cerimônia de chamar fariseus, escribas, seguidores de adúlteros, quando esses se relacionavam sexualmente com uma pessoa que não fosse o cônjuge primogênito. Mesmo em Mateus 19, quando os mesmos fariseus tentaram, por diversas vezes, colocá-lo em armadilhas, JESUS direcionou a doutrina do casamento para a total indissolubilidade, passando, inclusive, por cima da permissividade da lei mosaica: “Portanto, o que Deus uniu não separe o homem” (versículo 6). Um JESUS tão radical que afirmou que o marido está ligado pela lei do casamento à esposa enquanto ela viver (Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39).
O Mestre JESUS não dava fôlego a argumentos contrários aquilo que ELE ensinava. Era de um radicalismo tamanho que muitas pessoas preferiam ficar pelo meio de caminho, viver da ilusão e da miserabilidade que o mundo oferece a sofrer por amor e obediência aos mandamentos DELE. E outros insistiam mesmo em viver uma vida dupla: ora estar nos templos, adorando-O, ora no mundo, satisfazendo a vontade da carne e do diabo. Mas também para esse tipo de pessoa, ELE não deixou por menos: “Nem todo o que me diz Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, me dirão: Senhor, Senhor! Porventura, não profetizamos em teu nome; e em teu nome não expulsamos demônios; e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi abertamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:21-23) (grifo meu).
Talvez, após ler todos esses textos mencionados, você chegue a conclusão que eu não sou tão duro e radical assim; ou que sou menos radical e duro do que deveria ser. Tudo o que digo para o meu próximo, serve, inicialmente para mim. Tudo o que ensino e prego nos púlpitos de várias igrejas do Brasil arde primeiramente em meu coração. É alimento, doutrina, substância para a minha vida. Eu também irei enfrentar o Grande Tribunal, mas minha sentença, se eu permanecer debaixo da vontade de DEUS, se perseverar até o fim, já foi assinada por JESUS e transcrita por Paulo: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, os que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” (Romanos 8:1) (grifo meu).
Sou radical porque JESUS é radical; e ELE é radical por DEUS também O é. Tão radical que enviou o Seu único Filho aqui a este mundo para sofrer as humilhações como um mero mortal e depois entregá-LO à morte; e morte de cruz por amor dos que crerem NELE. Certamente, nosso PAI teria uma forma mais suave de realizar os Seus propósitos neste mundo, mas DEUS preferiu a forma mais radical possível para que hoje tivéssemos vida; e vida em abundância. Que DEUS nos abençoe!
FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio da Graça”; “Antes que a Luz do Sol escureça” e da coleção “Destrua o divórcio antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua o adultério antes que ele destrua seu casamento”, “Destrua a insubmissão antes que ela destrua seu casamento”. Também é pastor e líder do Ministério Famílias para Cristo.

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